Pela defesa do respeito à liberdade

MUNICÍPIO EM FOCO- DETALHE

Biblioteca • Notícias

Grande Cuiabá registra 138 casos de estupro durante o 1º semestre de 2016

G1
 
14/7/2016

http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/07/grande-cuiaba-registra-138-casos-de-estupro-durante-o-1-semestre-de-2016.html

A Polícia Civil já registrou 138 casos de estupro em Cuiabá e Várzea Grande, região metropolitana da capital, apenas durante o primeiro semestre deste ano. Esse número também engloba tanto os casos apurados pela Delegacias Especializada de Defesa da Mulher quanto os casos de estupros de vulneráveis (menores de 14 anos), que são investigados pela de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Segundo dados da Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), foram 100 casos de estupro  registrados em Cuiabá – dos quais 70 são contra menores de 14 anos – e 38 casos em Várzea Grande, sendo 29 casos de estupro de vulneráveis. Além disso, segundo a pasta, foram registrados 67 casos de tentativas de estupro na Grande Cuiabá, sendo 52 na capital e 15 em Várzea Grande.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma ligeira queda no número de ocorrências. Em 2015, Cuiabá e Várzea Grande registraram 115 casos e 46 casos de estupros de vulneráveis, respectivamente, dos quais 111 se tratam de ocorrências de crimes cometidos contra menores de 14 anos.

Para a presidente do Conselho dos Direitos da Mulher e defensora pública do Núcleo dos Direitos da Mulher, Rosana Leite, os números divulgados de ocorrências registradas na Grande Cuiabá não representam a realidade.

“Uma pesquisa divulgada em junho pelo Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] aponta que os números de estatísticas representam apenas 10% dos casos de violência sexual. O estupro é o crime mais subnotificado do mundo, seja por vergonha das vítimas, por se sentirem culpadas, por tabu”, afirmou.

Segundo a defensora, é necessário que sejam criadas políticas públicas eficientes para que as mulheres busquem seus direitos e denunciem os abusos sofridos, ação pouco tomada porque as vítimas acabam se sentindo culpadas e não acreditam que o poder público pode ampará-la.

“Do contrário, a vítima nunca vai querer buscar ajuda. O estupro é o único crime onde a vítima é julgada junto com o agressor. Se você é assaltado, ninguém pergunta porque você comprou determinado celular ou bolsa. Mas se uma mulher é estuprada, questionam por qual razão ela é extrovertida ou estava usando determinada roupa”, disse.

Rosana ressalta, também, a importância da discussão a respeito da chamada “cultura do estupro”, tema que instigou a realização de manifestações por diversas capitais do país, inclusive em Cuiabá.

“As mulheres jogaram para a sociedade toda a violência que elas passaram e, hoje, por meio das redes sociais e da mídia, conseguimos amplificar a discussão sobre o assunto. Porque a cultura do estupro existe. Um exemplo é quando paramos para analisar, desde a hora em que a mulher se levanta até a hora que vai dormir, quantas vezes ela muda de roupa ou de calçado para não atrair a atenção de homens na rua”.

Casos

Ocorrências de estupro de vulnerável foram as mais registradas na Grande Cuiabá nos primeiros seis meses deste ano. Entre os casos está o de uma adolescente de 14 anos – que teria sido abusada pelo próprio pai, um advogado da capital, desde os nove anos de idade – e o de um jornalista indiciado por supostamente ter abusado de uma criança de 11 anos em uma lagoa da capital, durante um encontro de amigos.

Outro caso que chamou a atenção este ano é o de três meninos de 6, 7 e 10 anos de idade, que teriam sido estuprados dentro de uma igreja evangélica da capital. Gerson Rômulo Ítalo de Araújo Barros trabalhava como sonoplasta da Igreja Assembleia de Deus do Bairro Pedra 90, onde os abusos eram supostamente cometidos durante os cultos, segundo a polícia. Ao ser preso, ele confessou os crimes.

 
Voltar

ASSUNTOS MAIS PROCURADOS

JUNTE-SE A NÓS

SAIBA MAIS