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Acordamos mais um dia em Porto Alegre temendo ser mulher

Telia Negrão
 
28/9/2016

Com pelo menos 17 tiros, 15 no rosto e restantes pelas costas, assim foi morta a jovem Shaiene da Silva Machado,  de 17 anos, num dos bairros mais frequentados pela juventude de Porto Alegre, a Cidade Baixa.  Atropelada duas vezes intencionalmente, ela foi arrastada por cerca de 60 metros pela rua Barão do Gravataí até a esquina com a Múcio Teixeira, onde o corpo foi abandonado.

É mais um feminicídio na capital gaúcha, dessa vez com características lesbofóbicas. Shaiene, que também usava o nome de Rafinha, participava do Bloco da Diversidade, jogava futebol e morava num bairro popular.  Na cena do crime, foram encontrados estojos de munições de calibre 380 e 9 mm, abandonados pelos seus assassinos.  Sua morte nos fez acordar mais um dia em Porto Alegre temendo ser mulher.

Nas redes sociais há relatos de suas características pessoais. Nos relatos da polícia, a busca por antecedentes policiais. Para nós, feministas que lutamos pelo fim de todas as formas de violência contra as mulheres, e sabemos que nossas identidades se transformam em vulnerabilidades, cabe reafirmar que nenhuma morte é aceitável, nenhuma violência é admissível e justificável, e que nenhuma violência deve ficar impune.

Nós  do Coletivo Feminino Plural, uma vez mais denunciamos a violência contra as mulheres de Porto Alegre, em especial contra as jovens . Temos sido, pouco a pouco, obrigadas a mudar nosso modo de usufruir da cidade, de buscarmos formas de nos proteger, alterar formas de vida. São estratégias em defesa de nossas vidas, pois não contamos com segurança para circular na cidade, não há políticas preventivas, há um desmonte das políticas públicas e uma total omissão por parte dos governos municipal e estadual com a defesa da vida das mulheres no Rio Grande do Sul.

Uma vez mais dizemos um basta e responsabilizamos o poder público pela sua omissão e descaso com a violência de gênero, e exigimos a retomada da Rede Lilás  para o enfrentamento de todo e qualquer tipo de violência contra as mulheres.

Continuaremos e resistiremos!


 
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